The Search: Cinquenta Tons de Azul

01/05/20
3 minutos de leitura

Fifty Shades of Blue

Perdido nas várias tonalidades do azul do mundo real.

Estas são as sessões que mudam a vida, que ficarão contigo para sempre e inspirarão a tua próxima exploração, e são o que The Search representa. Contudo… por vezes The Search é também algo completamente diferente. Por vezes pode ser menos como uma exploração e mais como uma viagem no tempo.

O escritor de viagens de surf Daryl Davenport resume a motivação…

Com todas as evoluções na Tecnologia e nas Viagens que nos chegam diariamente pela rede global da internet, é fácil acordar, pegar no dispositivo na palma da mão e acreditar que é tudo o que existe…

Concede-me um pouco de humor e olha para a palma da tua mão vazia. O que vês? Nada? Olha de novo com atenção e verás uma série de linhas que te contarão muito sobre a tua vida. A vida que só tens uma oportunidade para viver…

1.A linha do coração corre horizontalmente no topo da palma. Reflete o estado do teu coração tanto a nível físico como emocional. O surf, concordamos, é ótimo para o coração e para o poço de emoções que ele bate.
2.A linha da cabeça corre horizontalmente pelo meio da palma. Reflete o estado da tua mente e cérebro. Ventos offshore, novos mundos e ondas, o ardor de uma praia quente num país estrangeiro são grandes estímulos para a mente. O cérebro, no entanto, deve ser castigado. Deve ser surfado até à submissão. Tornar-se “surfado até ao limite”, tão sobrecarregado de entusiasmo que vibra numa submissão morna.
3.A linha da vida curva-se à volta da base do polegar, começando entre o dedo indicador e o polegar. Ao contrário do que se pensa, esta linha não indica quanto tempo vais viver, mas sim aspetos como força, vitalidade e prosperidade. Três coisas que não podes desfrutar sentado no teu traseiro a olhar para um ecrã.
4.A linha do destino corre verticalmente desde a base da palma até ao meio da palma (nem toda a gente tem esta linha). Indica aspetos como sucesso, percurso profissional e vocação. Não esperes pelo destino. Só as tuas próprias ações o determinam…

Por isso, tal como o dispositivo moderno, a tua vida (literalmente) parece estar na palma da tua mão.

Prepara-te para partir. Depois: faz um pacto contigo mesmo e decide simplesmente divertir-te. Diz: “Vou sempre deixar-me levar…” “Vou manter a educação e o bom humor…” “Tenho sorte…” Assim nunca ficarás desiludido.

Consegues (realmente) ouvir-te a queixar de um voo cancelado? Voltar a olhar para a palma da tua mão e mergulhar nas redes sociais para te queixares até à exaustão porque o teu voo está atrasado? Tenho a certeza que algum miúdo magricela a vasculhar um monte de lixo num buraco esquecido por Deus à procura de restos para arranjar uma refeição para o dia não está a ouvir nem a olhar para a tua selfie de aeroporto abatido e emburrado.

Sim, poderia estar a escrever tudo isto para ti, caro leitor, mas ainda mais para os surfistas profissionais em geral. Mais do que qualquer outra profissão na Terra, a deles é a matéria dos nossos sonhos, por isso as suas expectativas podem ser elevadas quando se trata do que é real ou irreal. E quem mais passa tanto tempo a acumular “Gostos” e a partilhar cada momento das suas vidas connosco? Certamente só os Kardashians…

Felizmente, os rapazes na viagem de surf que vais ver são pessoas equilibradas, ainda entusiasmadas com The Search e desejosas de fugir de tudo. Mesmo Medina, com os seus 3.900.000 seguidores no Instagram e claramente reconhecido como “O-homem-mais-probável-a-postar”, estava ansioso por escapar quando ouviu falar da esquerda raramente surfada que poderia, se encontrada, acrescentar profundidade e qualidade às linhas simples da vida escritas na palma da sua mão.

“Há muitas cores de azul aqui,” disse ele à chegada ao fundo do Pacífico Sul, hipnotizado pelo oceano.

“Azul escuro e azul claro. Ei, que tipo de azul é esse, é lindo, acho,” fascinado.

“Consigo ver sete tipos de azul. E olha para essa tonalidade! É o tipo de azul que eu procurava mesmo ali! Ei, que tal esse azul? Vem cá e olha para essa cena! Há 50 tons de azul no meu olhar!”

Quero dizer, não consegues ter essa estranheza a olhar para a vida através de um ecrã, certo?