"O Caçador": O Último Filme de Kyllian Guerin Já Disponível no YouTube
Paisagens de cortar a respiração, ondas infinitas e natureza selvagem. Durante o verão de 2023, o nosso surfista Kyllian Guerin passou um mês e meio na África do Sul, à procura de ondas e momentos únicos.
Após uma série de exibições exclusivas, The Hunter está finalmente disponível no canal de YouTube de Kyllian Guérin.
Dividido em três partes, o filme inspira-se nos nossos instintos primordiais de caça, refletindo a determinação de um predador para explorar, seguir e conquistar. Produzido pela Rip Curl e Kyllian Guérin, realizado por Gabriel Boin, com gráficos impressionantes de Roch Tastet, The Hunter leva os espectadores para o interior da beleza crua e selvagem da África do Sul.
Uma Conversa com Kyllian Sobre o Seu Filme
O que é The Hunter? Pode explicar-nos o projeto?
The Hunter é um projeto que começou com uma viagem de surf à África do Sul de meados de junho até final de julho de 2023. A ideia era perseguir as melhores ondas ao longo da costa africana, desfrutar da água, conhecer pessoas e captar tudo para contar a história. Queríamos mostrar como é descobrir um novo país, novas ondas e viver momentos únicos, tanto dentro como fora dos locais. Foi a minha primeira vez na África do Sul, um lugar com que sonhava há muito tempo depois de o ver em vídeos e competições. Os locais ajudaram-me a encontrar os melhores locais, por isso foi realmente uma experiência inicial incrível.
Porquê a África do Sul?
É um país muito selvagem, tanto em termos das suas paisagens como da energia que se sente lá. Desde o início, quis ligar o instinto do surfista ao do mundo animal, e a África do Sul foi perfeita para isso. A ligação entre a natureza e os animais é incrível. O país tem tudo: ondas intensas, muitas vezes desertas, e a energia crua que encontramos na fauna e nas paisagens.

Este é um projeto muito estético. Como surgiram estas ideias?
Inicialmente, tínhamos planeado um documentário ambicioso que misturasse surf e uma abordagem animalística na África do Sul, mas tivemos de rever os planos para simplificar. Queria manter a inspiração nos instintos animais e nas tribos locais. No local, filmámos tudo: eu tinha dois cineastas comigo — um focado na performance e ação, o outro no estilo de vida e na atmosfera. Quando regressámos, pusemos o projeto em pausa por um tempo. Quando o revisitámos este inverno, percebemos que faltava alma. Com o Gabriel, estruturámos o filme em torno desse aspeto instintivo e animalístico. A chita, que tivemos a sorte de encontrar, tornou-se o símbolo do projeto. Para a direção artística, o Roch propôs uma paleta gráfica inspirada nos tons africanos, com um tom vermelho-alaranjado que dá ao filme a sua identidade visual única.
Havia ondas lá?
Sabia que haveria ondas, mas não sabia muito e queria ser surpreendido. E, honestamente, fui! A costa está cheia de ondas, muitas vezes desertas. É um paraíso para quem surfa com o pé direito à frente, com muitas ondas divertidas e relativamente perfeitas para a direita. Algumas zonas são um pouco “de tubarões”, mas se tiveres cuidado, há muitas oportunidades para realmente desfrutar.
As suas melhores memórias?
A primeira é Jeffrey’s Bay. É uma onda icónica com que sonhava surfar. Quando chegámos depois de oito horas de viagem desde a Cidade do Cabo, as condições estavam perfeitas: 1,5 a 2 metros, ventos offshore. Acordar com isso foi incrível.
Outro momento inesquecível foi um dia perto da Cidade do Cabo. A primeira sessão foi difícil, com uma tempestade e condições frustrantes. Mas no dia seguinte, tudo se alinhou: tubos perfeitos, apenas dois ou três amigos na água… Este tipo de dia lembra-te porque surfas.
E algum susto?
Tubarões, claro. Como francês, não estamos habituados a pensar nisso. Nos primeiros dias, fiquei mesmo stressado, até falhei sessões. Mas, eventualmente, cansei-me. Fui para um local duvidoso, um point break para a direita junto a um porto. Não eram as condições mais tranquilizadoras, mas depois dessa sessão, o meu medo diminuiu. Desde então, digo a mim mesmo que se as ondas valem a pena, tens de ir e confiar.
Algum conselho para quem quer explorar a África do Sul?
Aceita o medo dos tubarões, esse é o maior obstáculo. Uma vez ultrapassado, tudo é positivo: ondas incríveis, não muito cheias, e a água nem é assim tão fria (um fato de surf 3/2 ou 4/3 chega). Vale mesmo a pena sair da tua zona de conforto para descobrir este país.
Qual é a sua próxima viagem?
Este inverno, será principalmente na Europa: Portugal, Irlanda, talvez Escócia. Estas viagens dependem das janelas meteorológicas, por isso serão decisões de última hora. Entretanto, estou a aproveitar a casa, a preparar o próximo ano e a garantir que termino o ano em força.
