Rip Curl Challenge La Nord: entrevista com Mathilde Pernoud, uma surfista convidada de longa data no concurso

15/01/26
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Rip Curl Challenge La Nord : interview with Mathilde Pernoud, a long-time guest surfer at the contest

O período de espera para o Rip Curl Challenge La Nord está aberto desde 1 de novembro de 2025 e continuará até 1 de abril de 2026. Durante estes cinco meses, os organizadores aguardam a combinação perfeita de ondulação e condições meteorológicas para lançar a 13.ª edição desta competição de ondas grandes (com ondas de pelo menos 3 a 4 metros) no icónico pico La Nord em Hossegor.

O evento reúne os melhores surfistas de ondas grandes da região: trinta e cinco surfistas da área das Landes, juntamente com oito surfistas bascos e ultramarinos, tanto amadores como profissionais. Os concorrentes são avaliados principalmente pelo seu empenho e pelo tamanho das ondas que escolhem surfar.

Enquanto aguardávamos o início do Rip Curl Challenge La Nord, tivemos a oportunidade de colocar algumas questões a Mathilde Pernoud, uma das poucas surfistas convidadas a participar no Challenge nos últimos anos e uma presença habitual na costa das Landes.

Instrutora de surf, nomeadamente no Lou Surfou Club em Seignosse, Mathilde descobriu o surf relativamente tarde, aos 28 anos. Desde o início, gostou de se desafiar em ondas grandes, mesmo antes de ter o nível técnico para as dominar. Passando os invernos a surfar La Nord em todas as condições, chamou a atenção de Xavier Duvignau, organizador do Rip Curl Challenge La Nord, que a convidou para a competição. Desde então, participou seis vezes.

"Aprendi a surfar nas Landes, e é esse tipo de surf que mais adoro. Gosto da sua natureza mutável e desafiante; há uma verdadeira satisfação em encontrar uma boa onda em condições difíceis. Surfar La Nord faz parte de mim: adoro apanhar esquerdas, remar durante 25 minutos para voltar a sair, e depois sair exausta após uma sessão de três horas no meio do inverno. É esse o surf que amo!"

Olá Mathilde! O que significam para ti todos estes convites sucessivos para o Rip Curl Challenge La Nord, e como te relacionas com o local?


Mathilde Pernoud – Senti-me muito honrada por ser convidada: significou que fui reconhecida entre as “boas surfistas”. Participo sempre de coração; adoro o ambiente amigável desta competição. Sempre me senti atraída por La Nord. No início, estava um pouco intimidada e comecei a ir gradualmente, usando pranchas maiores para apanhar as ondas certas, o que me levou vários anos. Nem sempre fui bem recebida; sendo a única mulher na linha, infelizmente, não é fácil conquistar respeito. Mas ao longo dos anos, com perseverança, fiz o meu lugar ali. Muitas vezes surfei em condições difíceis, até menos favoráveis do que no dia do Challenge. Por isso, no dia da competição, não me preocupo: já lidei com pior, e sem ajuda!

Como te preparas física e mentalmente para ondas como estas?


Mathilde Pernoud – Treino na piscina durante o inverno para trabalhar a retenção de ar e a força mental. Fui treinada durante anos por Thierry Krawiec, e desde este ano treino com o Clube de Salvamento Costeiro de Seignosse. O treino na piscina dá-me confiança, fisicamente mas sobretudo mentalmente: sei como ficar debaixo de água com calma. No dia da competição, as ondas estão boas, por isso o principal objetivo é divertir-me e aproveitar ao máximo as motas de água que nos levam de volta à linha para apanhar o maior número possível de ondas. Quero naturalmente mostrar o meu melhor surf, mas não sendo uma competidora regular, sinto sempre um pouco de pressão. Nesses momentos, digo a mim mesma: “Não te preocupes, Mathilde, consegues.” O meu objetivo final seria chegar à final um dia.

Como te sentes por seres uma das poucas mulheres convidadas? É pressão extra, motivação ou apenas natural?


Mathilde Pernoud – Ser mulher nem devia ser assunto. Fico feliz que no La Nord Challenge não existam divisões ou classificações separadas para homens e mulheres. Já não quero ouvir “surfas bem para uma rapariga”: só quero ser reconhecida como alguém que dá o seu melhor para apanhar belas ondas grandes.

Podes falar-nos sobre o local e as suas particularidades? O que te desafiou mais ao aprendê-lo?


Mathilde Pernoud – Dependendo da ondulação, dos bancos de areia e da maré, La Nord pode ser super divertido e fácil de ler a três metros... e no dia seguinte, a onda pode ser muito oca, com séries enormes que se deslocam e muita corrente. É um local tipicamente das Landes. Por isso, durante anos tentei surfar em todas as condições, mesmo quando parecia demais! A parte mais difícil foi atrever-me a tomar o meu lugar e remar para as ondas certas, mesmo que algumas pessoas não gostassem e mesmo que eu não conseguisse fazer tubos como eles. Por isso, o maior desafio foi ter confiança em mim mesma, e surfar La Nord ajudou-me muito a crescer nesse aspeto.